Domingo, Janeiro 06, 2008

Princesa Flávia...





Esta é a história de Flávia, uma princesa adormecida que eu espero um dia, pela misericórdia do Nosso Criador, possa retornar ao convívio dos seus... Ao transcrever os textos da nobre mãe de Flávia, Odele Souza, meu objetivo é tentar divulgar o ocorrido com a pequena, e alertar, como a mãe dela pede, sobre a impunidade vigente no país... Eu, Luiz de Medina Coeli Filho, como cidadão, vou deixar meu título de eleitor na gaveta, e de agora em diante, vou me colocar em posição de abstenção e obstrução à TODOS os candidatos, de TODOS os partidos, até a total reforma da Constituição e dos nossos códigos de Leis... É a maneira que eu achei para lutar por Flávia e por todos os outros e outras que se encontram nesse estado.... Abaixo, segue-se a transcrição de alguns textos do blog Flavia, Vivendo em Coma... ....

* O OBJETIVO E O FOCO deste blog.*

Este blog tem por objetivo ALERTAR aos leitores sobre os riscos oferecidos pelos RALOS DE PISCINAS, denunciando os fatos que levaram Flavia ao coma no qual se encontra até hoje, bem como EXIGIR A PUNIÇÃO EXEMPLAR DOS RESPONSÁVEIS. Por esta razão, NÃO ACEITAMOS DOAÇÕES DE QUALQUER ESPÉCIE, vez que este não é o objetivo deste blog. Se puder, colabore DIVULGANDO os fatos que afetaram e afetam a vida de Flavia, isto sim, será de grande valia para nós. Obrigada.


Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

TRANSCREVENDO CARINHO.

Gosto, sempre que for oportuno, transcrever gestos e palavras de carinho de vocês para comigo e minha filha, não importando quando nos foram dirigidos. Além do reconhecimento que lhes devo, a transcrição destes gestos e palavras, dá mais leveza a este blog, que por necessidade, tem por foco um tema nada leve.

Esta foto de Flavia antes do coma, foi trabalhada por Selena Rumiel, amiga de Grace Olsson, da Suecia. Muito delicado o seu trabalho, Selena.
A foto abaixo, de Flavia como está atualmente, foi trabalhada por Grace Olsson. Grace, lá no se blog, tenho admirado suas fotos, que de tão bonitas têm merecido prêmios. Fico muito contente por você.
E do blog Matutando, em um post para Flavia, transcrevo aqui o trecho abaixo:
Eu sou feito de
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos...
.
Sinto falta de
lugares que nao conheci
experiencias que nao vivi
momentos que ja esqueci...
.
(Trecho do poema "Pedacos de Mim" - Martha Medeiros)
Selena, Grace e Mineira, por favor, aceitem o meu muito obrigada e o meu abraço.

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

A deliciosa série Love Hina

Essa série nipônica, Love Hina, ou Amor Hina, é deliciosa e engraçada de se ver... O personagem principal masculino é um VDC, Viaducá, como o são a maioria desses personagens masculinos japoneses, tão tímidos e recatados que chegam à parecer ingleses, nada viris nem másculos... Mas as garotas.... Ahn, essas são uma delícia... A minha preferida é a que tem cara de raposa, a Mitsune Konno, ou Konno Mitsune, lá o nome vem antes do pré-nome, como aliás é o correto, na minha opinião não existe esse costume ilógico de "sobrenome", o correto é "pré-nome" Mitsune, e "nome" Konno, (poderia ter um "a" no final...), ela é uma gostosa que vive no hotel Hinasoubu, algo assim, um "pensionato de moças", que só tem umas 5 ou 6 e são todas gostosas... Tem a Shinobu, que é tímida mas é engraçada, a mais pirada de todas que é a Keolla, enfim, vale a pena conferir... A Naru disfarçada parece a engenheira da Nirvana, a Parfet de Vandread, a tia do cara parece a Gascogne de Vandread também, sempre com algo na boca, no caso da tia são cigarros cancerígenos letais,
vários personagens são parecidos com os de Vandread na minha opinião... Acho que é porque eu gosto muito de Vandread... Deve ser isso!
Parece que eles fizeram um ou dois filmes baseados em Love Hina, mas eu não tenho certeza, quer moleza vá pesquisar ocê, ora, ou senta... No pudim... Eu gostaria de assistir um filme com todas elas, estilo super-produção, em vez de fazerem algo realmente interessante aqui em terras tupiniquins, como um filme baseado em Love Hina, talvez em estilo "malhação", eles fazem essa coisa medíocre e bizarra chamada Big-Brother... É bem o "níver" cultural do nosso povinho... Bom, eu não preciso falar nada, ocêis sabem muito bem quem é a anta que está na chefia do Executivo né, sem contar os cervos do Legislativo e do podre Judiciário eu nem vou perder tempo comentando... O universo de Love Hina é bem melhor, ocê ri feito uma hiena doida, e se apaixona pelas gostosas personagens logo de cara! Ainda bem que os japas criaram os animês, eles podem não ser muito viris, nem machos, mas sabem desenhar e animar... Que O Criador Salve Love Hina!!!

Voei...

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Esqueceram de mim - Parte 1



Pois é, The Count arrived in the manor, e não enviaram nem uma banda de música com cheerleaders japas para me receber! Tudo bem, vou tirar os dois do meu testamento, e só a mademoiselle Claire vai herdar a vasta coleção de castelos do Conde E o som do PC que "misteriosamente" deu mico? Acho que vou comprar um cruxifixo e benzer esse PC porque eu desconfio, aliás eu sei, que todo PC, no fundo tem alma cibernética própria, e a desse não gosta muito do Conde... No futuro, eles, PCs, terão imagens no melhor estilo "holodeck" de Star Trek, com direito à gostosas e tudo! Acho que vou me congelar criogênicamente e mandar me acordarem só em 4068! Deixe-me ver... Aí no caso eu teria exatos 2100 invernos... É, eu ia precisar de umas vitaminas mas tudo bem! Se bem que eu sou um vampiro, eu não preciso me congelar, eu devo ser daquela espécie de "morcego-Toupeira" sabe, meio Dããã... Gostei muito e recomendo o presente do meu servo corcunda de um olho só, o Miruno, o livro O Príncipe Maldito, da Mary Del Priore editado pela Objetiva, tem na Livraria Cultura, a melhor das melhores na modesta opinião do Conde! E a Del Priore é uma gata, que deve ser casada, com a minha sorte... À propósito, sobre as fotos eróticas da visitadora de alto-luxo MV, da última edição da Brinquemenino, já estão todas disponíveis gratuitamente na rede, não vou dizer aonde porquê aí é muita moleza né, mas.... Grande mãe essa, um verdadeiro exemplo de ética e moral, só podia ter dado o rabo gostoso e deveras caro para quem deu mesmo, é bem aquele nível rampeiro e cínico, do "vamos manter as aparências até a desencarnação" mesmo...

Só mudando pro Canadá, além de pagar menos imposto e do mesmo retornar, se uma visitadora apronta uma dessas por lá, no mínimo, A Coroa retira a guarda da criança da mãe imoral na hora! E tem gente que ainda apóia essa... Bom, vamos deixar para a Providência Divina agora, pois se for depender dos brasileiros (as).... Eles (as) vão continuar é comprando a revista!

Então, o canal Animax está reprisando o excelente Vandread... Na madruga... Ainda falta passar o Fate Stay Night! E o criador de Vandread fazer uma nova série com todos aqueles personagens maravilhosos... Senão eu faço hein, compro os direitos e faço! Eu sabia que não devia ter tomado aquela medicação tarja preta hoje! Bom, estou aqui, em Sampa, alonão, agora são 18:57 P.M.!

É, acho que vou me transformar em morcego e bater as asas por aí... Voei!

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Serva de Deus Albertina Berkenbrock


Esta em processo de canonização, pelo Vaticano, o caso de Albertina, que foi estuprada e degolada, em 1931, quando pastoreava o gado de sua família por um infeliz que a desejava e assediava constantemente.
Ela tinha 12 anos, na época, algumas já se casavam nesta idade, parece que muitos milagres foram atribuídas ao espírito de Albertina B.
Ela era muito religiosa, católica romana, mas muito convicta dos valores da Igreja, como a maioria das garotas alemãs daquela época. Se viva fosse, hoje, em 2007, ela já teria 88 anos e 7 mêses... Que é a idade real dela, como espírito, caso ainda não tenha reencarnado... Os imigrantes sofreram bastante no Brasil, estupros, sequestros e assassinatos por nativos, no entanto, eles persistiram e construíram a Grande Santa Catarina e o Grande Rio Grande do Sul... Estados dos quais me orgulho, nem mais nem menos que os outros da Federação, mas que se diferenciam por sua cultura e brilho ímpares... Eu faço votos pela grandeza e prosperidade do Brasil, tal qual, outro descendente de austríacos, que foi obrigado à emigrar, desta vez, no sentido inverso em direção à França, aonde veio à desencarnar, com um último desejo... Em seu caixão, ele quis que sua cabeça repousasse sob um travesseiro cheio da sua terra natal, de seu amado Brasil... Seu nome, Pedro de Alcântara... Espírito semelhante ao de Albertina Berkenbrock...
Vivam muito e prosperem!

O caso verídico dos Versteg do RS






A Morte ronda a família Versteg....







Enfim, abaixo um longo, porém belo, relato do caso verídico ocorrido na cidade de São Vendelino, no RS, à família de colonos alemã Versteg...



EM FELIZ – ANO DE 1847, o imigrante Jacob Bohn, de Feliz, prepara uma armadilha para apanhar os índios ladrões de milho e mandioca. Para tanto, estendeu uma corda (tipo barrigueira) até o seu quarto de dormir, amarrou-lhe uma lata vazia em cima de uma cadeira e combinou com os vizinhos para atacarem juntos os índios. Certa noite de luar, os índios invadiram a roça, mas tropeçaram na corda, o que fez a lata cair no quarto, acordando Jacob Bohn. Logo seis colonos armados cercaram a lavoura e dispararam tiros para o ar aos gritos e em meio ao latir de cães furiosos.
PÂNICO NA ROÇA - Tomados de pânico, os índios correram em disparada ficando para trás um pequeno índio de uns 11 anos, ferido no joelho e com um pé destroncado, caindo prisioneiro.
O BUGRINHO - Os colonos levaram o bugrinho para casa e trataram-lhe as fendas. Era um garoto sadio, forte e esperto. Decidindo com quem ficaria o garoto, tocou ao vizinho Matias Rodrigues da Fonseca que levou-o para casa para servir como ajudante. O rapaz criou-se na fazenda do agora pai adotivo, cresceu e aprendeu sofrivelmente a língua alemã. Porém não gostava de trabalhar, preferindo correr e caçar no mato com os cachorros que conseguiu e uma arma de caça. Trazia pele dos animais que vendia em troca de cachaça.
FUGA DE CASA - Certo dia, já com 20 anos, o rapaz fugiu de casa, reaparecendo meses depois, acompanhado de uma jovem índia com a qual passou a viver num casebre erguido na encosta do Morro da Canastra isolado dos brancos.
LUIS BUGRE – GUIA DOS ITALIANOS, Em 1875, os primeiros imigrantes italianos chegaram às encostas da serra. E o bugre apresentou-se como guia para leva-los ao alto da montanha, ajudando-os a construir as primeiras casas e demais tarefas.
A FAMÍLIA LAMBERTO VERSTEG EM SÃO VENDELINO, A família Versteg residia há 9 anos no alto da montanha numa bela casa que construíram. Tinha farta lavoura e numerosa criação, tudo muito bem organizado. Sua esbelta esposa Valfrida vivia ali com o marido, o filho Jacó e a filha Lucila, bela garotinha de 11 anos.
CONVITE PARA O KERB DE SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ:
O comerciante Eisenbarth, entregou uma carta oriunda de São Sebastião do Caí e informou que Luís Bugre voltara a dormir em seu galpão, como antes.- Luis Bugre ? – estranhou Lamberto – não quero nada com ele. Vou embora. Entretanto, àquela altura Luís Bugre ouviu o que dizia Lamberto e disse para consigo, - Desgraçado! Tu vais me pagar! É que o bugre não gostava que o chamassem de Luis Bugre. O convite de São Sebastião do Caí, era de seu velho amigo e companheiro de viagem para o Brasil Valentim Weber, convidando-o para o Kerb de 14 de janeiro de 1.868. Mostrando o convite a Valfrida, esta disse – Luis Bugre anda por aí! Mas não tenho medo dele. Nós nunca lhe fizemos mal. Vai Lamberto – disse-lhe a esposa – e traga-me notícias da senhora Weber. Na tarde de sábado, 13 de janeiro, Lamberto montou seu cavalo e partiu rumo a São Sebastião do Caí. Antes de partir, Lamberto deixou com Valfrida sua espingarda de dois canos carregada, pressentindo que poderia haver algum perigo com os selvagens da redondeza.
O ESPIÃO LUIS BUGRE - Embora fosse mulher de grande coragem, Valfrida quase não dormiu à noite, assaltada por maus pensamentos e sonhos horríveis. Cedo, na manhã seguinte, tirou leite e ao sair do curral o cachorro Plutão latiu furiosamente. Não demorou muito e apareceu Luis Bugre de espingarda na mão e uma lebre presa no cinto.Bom dia! – diz o bugre – Não ter medo Luis não fazer mal.- Que deseja, Luis Antônio?- Nada – respondeu o índio – Bugres maus andar mato. Luís acariciou as crianças. – Bonitos meninos. Bonitas vacas. Bonitas galinhas. Bonitos porcos! Tudo é bonito. Após o quê, o índio deu meia volta e embrenhou-se no mato – Tudo resolvido – pensou o índio. O chefe Lamberto não está em casa. Sem desconfiar do índio, Valfrida toma café com as crianças dizendo – Depois do café, vamos à casa do vizinho João Boesing ficaremos lá até à volta do papai! - Que bom, mamãe, vou levar o papagaio – disse Jacó – E eu a Lenga! – acrescentou Lucila.
O FURIOSO ATAQUE DOS ÍNDIOS - Logo após o cão latiu furioso e saiu correndo para fora. Súbito, o cachorro que tinha entrado na mata latindo retornou com gemidos lancinantes. Fora atingido mortalmente por uma flecha indígena no pescoço. Não demorou e outra flecha entrou pela janela sibilando, e outra, e mais uma saraivada de flechas. Era o ataque dos índios que Valfrida sonhara. Todos na casa se agacharam. Valfrida empunha corajosamente a espingarda de dois canos, enfiou-a pela janela e disparou um tiro forte.
O ATAQUE DO TERROR - Certamente o espião Luis Bugre verificou que Lamberto não estava em casa e avisou os índios. Espiando pela janela, Valfrida descobriu caras selvagens entre o arvoredo, e cometeu o erro de sair correndo com as crianças para o quarto. Logo um bando de índios, irrompe furiosamente contra a casa assim desprotegida e a arrombam. Cercam Valfrida e arrancam-lhe a espingarda com a qual bateram numa mesa até que um tiro detonou, assustando os bugres, que esconderam-se noutra peça da casa. Refeitos do susto, os índios começaram a quebrar tudo derrubando no chão e quebrando copos, pratos, panelas, tudo que encontraram. Lá fora outros índios vão matando porcos, vacas, cavalos, galinhas, tudo que Luis Bugre tinha achado tão bonito. Pouparam só Nabita a preciosa vaca de leite.
OS ÍNDIOS DESCOBREM OS FILHOS - Encontrando os filhos, escondidos em baixa da cama, os índios avançaram para eles. As crianças gritam por socorro da mãe que corre para eles, mas recebe um violento soco, caindo desacordada. A seguir amarraram mãe e filhos e põem fogo na linda casa de madeira, móveis e tudo o mais, restando ao final um montão de destroços fumegantes. Logo os índios fugiram, levando os prisioneiros amarrados.
O RETORNO DE LAMBERTO DO KERB DE SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ - Entrementes, Lamberto participava do festivo kerb, mas não sentia-se feliz. Algo lhe dizia, de maneira inconsciente, à respeito do perigo de um ataque dos índios das redondezas. Afinal, não suportando mais a agonia, despediu-se após o almoço, montou seu cavalo em direção a Bom Princípio, levando ainda 3 horas para chegar a São Vendelino, cavalgando ao longo do Arroio Forromeco.
SUSTO INDESCRITÍVEL – ONDE ESTÁ A CASA? - Inexplicavelmente, ao chegar a São Vendelino, no milharal de onde se avistava sua linda casa, não viu nada! Estaria sonhando? Mais alguns passos e tudo se esclareceu. Só havia um montão de cinzas e destroços ainda fumegantes, e o resto de seus queridos animais – Os índios – pensou. Consultou o vizinho não muito distante João Boesing, mas ele não sabia de nada. Sua casa ficava um tanto afastada do local da tragédia. A família Troem também não sabia de nada para seu desespero.
UM GRUPO DE RESGATE - Diante disso, Lamberto e João Boesing dispararam morro abaixo e chegaram à vila de São Vendelino. Lá, organizaram um grupo de resgate com 26 voluntários. Era o dia 15 de janeiro de 1868. Nessa tarefa de socorro, foram auxiliados pelos sacristão da paróquia, Leonardo, que bateu repetidamente os sinos da igreja logo reunindo os moradores alarmados, que queriam saber o que houve.
A VIAGEM DA ESPERANÇA - Iniciando a gigantesca batida na selva, os 26 homens esparramaram-se em larga coluna, os cachorros na frente, farejando sempre. Avançavam sobre troncos e pedras, morro acima, morro abaixo, numa estafante corrida em busca dos prisioneiros. Mas nenhum vestígio dos índios. Nada.
A PRIMEIRA PISTA - Subitamente, o colono Antônio Ludwig soltou um grito de alegria. - Vejam o que encontrei! Um pedaço de pano. Olha aqui Lamberto. - É do vestido de minha querida mulher. Ela deve ter rasgado para deixar pistas, disse Lamberto! Vamos dar aos cachorros para cheirar – sugeriu Rodrigues. Cheirando o pedaço da pano, os cães correram à frente farejando. Repentinamente, o cão Nero estancou, sacudindo alegremente o rabo. Encontrara outro pedaço do mesmo tecido. Era evidente que Valfrida, espertamente, estava deixando pistas pelo caminho. Nicolau Reis vai à frente com Nero e logo descobre outros retalhos do vestido de Valfrida, despertando novas esperanças aos perseguidores.

DESCANSO E ALMOÇO - Já era quase meio dia quando o esquadrão de busca chegou a uma clareira na selva, onde resolveram descansar e comer um pouco. - Vejam, aqui os índios pararam para comer! – disse o colono Matias Scherer, mostrando vestígios de fogo. Todos deitam para descansar e comer o que trouxeram.

NA FLORESTA - Prosseguindo na marcha em busca dos índios, o esquadrão descobre mais adiante mais um pedaço de vestido de Valfrida indicando que o caminho era aquele mesmo.Após acampar, os homens formaram dois grupos bem longe um do outro.

OS INDÍGENAS NOVAMENTE - Repentinamente, sibila uma flecha que vai cravar-se num tronco de uma figueira. - Os índios! – gritam os homens. Mas na floresta retornou o silêncio, enquanto os homens deitavam com as armas em punho, dedo no gatilho e facão ao lado.
A CHUVA - Porém ninguém estava preparado para enfrentar a chuva que caiu em seguida. Não trouxeram capas nem guarda-chuva. Todos se encharcaram da cabeça aos pés.Tiritando de frio e batendo os dentes, espirrando só restava-lhes regressar a São Vendelino. Todos, menos Lamberto... Ele seguira a expedição sempre em silêncio, ruminando sua dor e lamentando sua desgraça, mas apreciando a corajosa e destemida corrida dos intrépidos amigos, alheios a todos os perigos. Voltem para suas famílias. Eu, porém, não voltarei. Não posso voltar. Vou andar sozinho pela floresta até encontrar minha família. E se não encontrar, ficarei por aqui mesmo, para morrer na solidão. Para mim, a vida perdeu a razão de ser. Depois de muita insistência debalde, Rodrigues disse-lhe, - Escuta, Lamberto... - Nós voltaremos a São Vendelino, mas vou a São Leopoldo falar com o governo. Eu juro. Viremos com reforços para resgatar sua esposa e filhos. Amanhã irei a São Leopoldo. Lamberto comove-se às lágrimas com aquele gesto amigo, mas animava-se diante de idéia de uma escolta do governo para resgatar a família. Voltaram todos, menos Lamberto para São Vendelino.
A FUGA DOS INDÍGENAS - Os índios caingangues sabiam que estavam sendo perseguido pelos brancos. E fugiram para bem longe; Quase todos andavam nus, alguns trazendo pelas de papagaio presas à coroa dos cabelos. Um ou outro enfeite no pescoço e alguns rostos tatuados com tinta vermelha e branca.
COM OS PRISIONEIROS - Depois de assaltarem a casa de Lamberto, desamarraram-lhes os pés e obrigaram-nos a caminhar. Valdrida recusou-se a caminhar, mas os bugres empurraram-na violentamente, dando-lhe pontapés e bofetadas, açoitando-a depois com ramos espinhentos, que lhe arrancavam sangue dos braços e pernas. Afinal, os prisioneiros foram forçados a marchar em fila indiana um atrás do outro, em silêncio.
DEIXANDO PISTAS - À medida que avançavam pela selva, Valfrida ia largando pelo caminho pedaços que rasgou de seu vestido, porque tinha certeza de que Lamberto viria atrás dela e dos filhos assim que regressasse de São Sebastião do Caí. Os pés de Lucila sangravam tanto que ela não pode mais andar. A mãe viu-se forçada a carregar-lhe no colo. Os índios também suavam vergados com o peso dos fardos de carnes, galinha, roupas, talheres, louças, vasilhas e o mais que roubaram na casa de Valfrida antes de incendiá-la.
DESCANSO PARA O ALMOÇO - O cacique disse algo em sua língua inteligível e todos pararam amontoando pedras e juntando lenha para o fogo que acenderam. A seguir, assam no fogo alguns pedaços de carne e comem avidamente.
NOVOS HORRORES COM OS PRISIONEIROS - Em pouco, as chamas devoraram toda a lenha, restando apenas um enorme braseiro.
O cacique pega uma faca e 5 índios agarram Valfrida e as duas crianças que gritam desesperadamente recebendo pancadas na boca. Em seguida, com a faca, abrem talhos profundos nos pés apesar dos gritos, o sangue jorra. Depois, arrastam as vítimas da tortura e mergulham os pés diretamente no braseiro, queimando-lhes no processo rudimentar de cauterização. A dor é tão grande que parece terem amputado os pés dos prisioneiros. Após, um índio apanha uma erva, tritura-a com pedras e coloca a pasta sobre as feridas, amarrando com embiras. Trazem na vasilha com água fresca e retiram–se deixando os três a sós gemendo dolorosamente. Os índios deitam e dormem um sono pesado. Um índio leva Jacó para junto de si e seita a seu lado, segurando-o.
A FUGA E O PREÇO DA LIBERDADE - Todos dormem profundamente, menos Valfrida, que estuda uma maneira de fugir com os filhos. Ela escuta o ressoar dos índios e vê que não há sentinelas. Ninguém acordado. É, agora. Desvencilhando-se de amarras, acorda as crianças, desamarra-as e os três vão caminhando apressadamente na selva densa e correm a esmo. Perderam o rumo da casa. Mas o que importa é fugir para longe dos índios. Após duas horas de marcha apressada e penosa por fim as energias se esgotaram. - Vamos descansar, filhos! Aqui no meio desse taquaral ninguém nos descobrirá. Deitam no tapete de folhas secas e acabam dormindo exaustos.
A REAÇÃO DOS INDÍGENAS - Acordando ao clarear do dia, os índios logo dão falta dos prisioneiros, e saem no seu encalço. Descobrir pistas para os índios é tarefa fácil demais habituados aos pequenos detalhes da floresta. Após certo tempo de buscas, um guerreiro entra no taquaral e descobre a mulher branca e as crianças, e soltaram um grito de pavor. Cercam-nos e riem muito. Aos empurrões e pontapés, fazem-nos retornar ao acampamento, onde tratam de suas feridas, dando-lhes de comer – fruta e carne.
NOVA MARCHA COM OS SELVAGENS - Extenuados, os prisioneiros dormem e ao meio dia os bugres acordam-nos e prosseguem viagem, numa jornada penosa no solo irregular, em fila indiana, um atrás do outro. A seguir, os índios se dividem em dois grupos o mais numeroso carregando os sacos seguindo num rumo e o outro menor, tomando conta dos prisioneiros, indo mais devagar por outro caminho. De repente chega um índio correndo com o terror estampado no rosto. Trouxe um recado para o cacique. O espanto agora atinge a todos. Imediatamente, soltam os presos e empurram-nos para a frente, com muita pressa. Logo, a mata estremece sob o fragor de cerradas fuzilaria.- O pai! É o pai vem aí, filhos. Estamos salvos. Os selvagens erguem a clava e ameaçavam matar os três ali mesmo. Era andar ou morrer, e todos fogem precipitadamente.
A TERRA DOS CAINGANGUES - Depois da corrida pela mata, avistam a taba dos caingangues. É ali que Valfrida e os filhos vão morar agora, como prisioneiros dos bugres. Foi nesse local que sete anos mais tarde, em 1895, batizado de Campo dos Bugres, teve início à formação do hoje município de Caxias do Sul. No terreiro, mulheres e crianças nuas pulam alegremente festejando a volta dos guerreiros e prisioneiros. O chefe descreve às mulheres a façanha do assalto à casa de Lamberto e o rapto da mulher e filhos.
A NOVA MORADIA E AS DANÇAS DOS SELVAGENS - Após fartarem-se de comer e beber cauim, os índios deitam no chão, muito bêbados, e dormem ali mesmo no terreiro enquanto outros vão arrastando-se até os ranchos.
O RETORNO DE LUIS BUGRE - No dia seguinte pela manhã cedo, Valfrida houve latidos de cães e ruídos estranhos. Espiando pela porta ela observa Luis Bugre, que retornava. Às mulheres vão ao encontro do bugre e Valfrida vem atrás. Luis Bugre reconhece Valfrida e diz: - Bom dia, mulher branca. Tu aqui? Fugir do marido? - Malvado. Tu ainda falas assim? Traidor! Tu és o culpado de nossa desgraça! – responde Valfrida. - Traidor eu? Não, mulher! Luis homem bom! Luiz não faz mal a ninguém! - Se és bom, então nos salva! Meu marido vai te "recompensar” – diz Valfrida. - Recompensar? Quá, quá, quá! Eu saber disso. Branco recompensar Luiz cadeia. Não! Luis não ser bobo! Valfrida põe-se a chorar. - Mulher branca chorar, mulher ruim! Polícia matar bugres! Não há esperança de salvação. Tudo perdido, pensa Valfrida que retira-se desolada para seu rancho. Os índios, apressados, demolem a taba para fugir da polícia que vem com Lamberto.
A FUGA DOS INDÍGENAS - Após, formar-se o cotejo para a fuga da tribo dali. Partem todos homens, mulheres e crianças. O velho guerreiro cacique vai à frente, todos em fila indiana, um atrás do outro. Todos fogem do grupo de resgate e polícia que avançam pela selva – seguindo Luis Bugre.
AGORA A POLÍCIA REFORÇA O GRUPO DE RESGATE - O governador da Província dr. Francisco Marcondes Homem de Mello, a pedido de Lamberto e Matias Rodrigues da Fonseca autorizam uma expedição de resgate dos três brancos sobreviventes seqüestrados. Em 22 de janeiro de 1868, no Forromeco, São Vendelino o delegado parte com uma escolta de 18 voluntários da colônia alemã João Weissheimer, João Vogt, Xavier, Angst, Pedro Alles, Carlos Gewehr, Felipe Rammé, Nicolau Linsfeld, Delipe Althaus, João Bohn, Jacó Blank, Pedro Fusiger, Miguel Orth, Carlos Persch, Romeu Schäffer, Jacó Weirich, Valentim Weber, João Flach e Lamberto Verteg, este último marido de Valfrida. Bem armados e providos de alimentos, partem na certeza de que em menos de uma semana estarão de volta com os prisioneiros seqüestrados.
A FARSA DE LUIS BUGRE - Enquanto isso, Luis Bugre vai orientando a marcha dos colonos para o Norte, onde moravam os caingangues, segundo ele. Tudo uma farsa. - Bugres embora, Bugres todos embora, fingindo aborrecimento. Realmente, chegando ao local da aldeia, encontram só postes amontoados, buracos abertos, cinzas. O delegado já vinha desconfiando de Luis Bugre. Agora agarra-o pelo pescoço.
- Socorro! Socorro! – exclamou Luis apavorado. Soltar Luis bom camarada!
AFINAL, A CIVILIZAÇÃO - Do alto de uma coxilha, avistam afinal um conjunto de casas. É a moradia do proprietário do campo Manoel Forminiano, que os recebe amavelmente, dando-lhes cordial hospitalidade e servindo-lhes comida farta. No dia seguinte, o bom fazendeiro põe à ordem do delegado sua peonada para auxiliar na busca dos índios. Depois de dias de buscas infrutíferas regressam à fazenda demoram-se ali alguns dias revigorantes e despedem-se agradecidos, partindo novamente.
EM SÃO VENDELINO - Após vários dias de ausência a expedição retoma a São Vendelino, frustrada na tentativa de encontrar os índios e seus prisioneiros. Lamberto não tem mais alegria. Nem suporta viver naquele lugar de tão tristes recordações. Por isso, vende suas terras e parte sem rumo certo, arrastando consigo o amargor de sua imensa desgraça.
ERRANDO PELA SELVA - Avisados pelo traidor Luis Bugre, os índios caiangangues após demolir a taba fogem sempre até chegar às margens do rio das Antas. Carregam os fardos e as crianças de colo, segundo quase sempre, os cursos de água onde a floresta se agiganta. Valfrida ainda alimenta a esperança de ser resgatada pela expedição.
PROSSEGUE A MARCHA DOS SELVAGENS - A marcha prossegue até chegar ao arroio onde param para descansar e tratar de dormir. Durante a noite dois índios ficam de sentinela porque estão com medo dos brancos que os perseguem; Há muita caça na região e por isso resolveu ficar ali alguns dias. Jacó e Lucila já se habituaram a vida selvagem, gozam de saúde e parecem-se com os índios.Valfrida, porém, definha a olhos vistos. Receia morrer e deixar os filhos desamparados. Seu único vestido estava rasgado, sujo e malcheiroso. Toda a imensa tragédia transforma a mulher num mísero farrapo humano. Tem quase certeza de que seus dias estão contados. O filho Jacó habituou-se a vida nômade dos indígenas. Aprendeu a língua dos caiangangues, já manejo ao arco com destreza e trepava em árvores como os macacos.
NOVAMENTE EM MARCHA - Após algum tempo ali, onde havia caça abundante, os índios seguem para o sul, descem a serra e acampam num vale. Jacó conquistou a confiança do cacique e tem licença para vagar sozinho pela mata, onde aprendeu a alimentar-se com caça e frutas.
A INCRÍVEL PROPOSTA DO CACIQUE A VALFRIDA - O cacique da tribo fez então uma incrível proposta a Valfrida. Quer que Valfrida seja sua esposa, ao lado das outras esposas do seu harém. Valfrida protesta e diz que não podia aceitar o convite. Que seu marido a espera, que é mulher honrada e fiel a seu marido Lamberto. Diante da recusa, o cacique resolve vingar-se. Aguarda apenas uma oportunidade para seu sinistro plano. Certo dia, os caçadores partem para longa jornada incluindo Jacó, que integra o grupo.
MAIS UMA VEZ LUIS BUGRE - Ouvindo vozes e latidos de cães, Valfrida e a filha vão para o terreiro. O índio gesticula e aponta para eles. Os índios dirigem-se a Valfrida e batem-lhe no ombro. - Em Toclin! Vem!Seguram e levam Valfrida com violência, Lucila corre atrás da mãe, gritando; mas leva violento soco de um índio que lhe dá pontapés. Enquanto isso, Valfrida é levada para dentro da mata recebe açoites no braço e cabeça.
A TRAGÉDIA - Luis Bugre deve ter dito algo que enfureceu os índios, pois eles amarram-na a um tronco de árvores. A seguir, postam-se a uns 30 metros de distância e disparam suas flechas contra ela, matam-na sem dó, e por, fim, abrem uma cova e ali sepultaram-na. Lucila, recobrando os sentidos, arrasta-se para perto do local da tragédia e assiste, escondida, o fim da tragédia. Afinal, os índios retiram-se satisfeitos e Lucila vai cautelosamente até o local, caindo de bruços, na sepultura da mãe chorando. - Mãe! Ó mãe! Querida mãezinha!Entra numa espécie de torpor e adormece.
O REGRESSO DE JACÓ – ORFÃOS - Regressando da caçada, Jacó dá pela falta da mãe e Lucila. Pergunta às mulheres, que apontam para onde foram. Chega ao local e encontra Lucila e logo adivinha tudo. Uma profunda dor toma conta do rapaz, que abraça a irmã, que chora desesperadamente.
LUCILA DESAPARECE - As coisas agora se precipitam. Os caingangues com medo da perseguição da polícia, resolvem emigrar. Vão para às margens do rio das Antas.Após a morte da mãe, Lucila passou a servir de escrava na oca do cacique, onde é maltratada pelos filhos do chefe indígena. Os índios põem-se em marcha. Como escrava, Lucila é obrigada a carregar pesados fardos com a mudança do cacique. Chegando ao rio, escolhem o local da nova taba, derrubam árvores e queimam as raízes. Em poucos dias constroem os casebres em forma de círculo no centro o terreiro. Todos trabalham, caçando, pescando, colhendo frutas. Jacó não perde tempo. Decidindo fugir dos índios, toma parte nas caçadas, andava por todos os cantos para descobrir o caminho da fuga. Jacó tornou-se um rapaz forte, com seus 15 anos de idade. É mais forte que todos os demais da tribo. Certo dia interpela o cacique:
- Senhor, onde está Lucila?- Um homem livre não tem escrava por irmã! – respondeu o cacique. - Mas eu preciso dela! – Insiste Jacó. - Ela é uma serpente que envenena teu coração! Procura onde quiser, mas não a encontrarás! Sentindo a inutilidade da discussão, Jacó retira-se amargurado. Realmente nunca mais teve notícias da irmã. Mas agora um ódio profundo e implacável se apodera de Jacó. Ele há de vingar-se. E começa a planejar sua fuga dos índios.
A FESTA DA TRIBO - Aproximando-se a grande festa, todos trabalham afanoamente. Para fabricar o cauim, a bebida que se torna alcoólica após fermentada, alguns índios vão em busca de milho nas roças dos brancos. Outros caçam antas, capivaras, veados, pacas, bugios, porcos-do-mato e até uma enorme cobra caninana. Jacó sente-se feliz com a oportunidade de fuga e auxilia ativamente nos preparativos.
COMEÇA A FESTA - Ao rufar dos tambores, os visitantes vão chegando. Ao centro do terreiro na taba, crepita o fogo para assar as caças. E começa a grande festa. Primeiro servem cauim em grandes quantidades, depois carnes.Todos deliram de alegria, menos Jacó que sente ser chegada a hora de fugir dos indígenas.
AFINAL, A FUGA DESESPERADA - Muito cautelosamente pé ante pé, olhar fixo na multidão, Jacó se esgueira por trás do grupo de rapazes e mulheres no exato momento em que homens lutam entre si um costume nas festas indígenas. Jacó dá uns passos e entra na mata, olhando para trás. Nada acontece; Ninguém notou sua ausência. Todos estão absorvidos nas lutas esportivas.Encontrando-se agora no escuro, Jacó corre velozmente passando por feras no mato. Mas ele não tem medo delas, só dos índios. Teme especialmente Itabira, um rapaz índio de sua idade capaz de descobrir qualquer pegada e até de vencê-lo na corrida. Ao alvorecer, Jacó não suporta mais e acomoda-se atrás de umas pedras, uma espécie de gruta e cai pesadamente no sono. O Sol da manhã o desperta. Sem se demorar mais, saí correndo novamente. Ao meio dia chega a um pantanal onde dias atrás descobrira pegadas de gado decidindo procurar a fazenda do criador.
DESPISTAMENTO - Desconfiando que os bugres viriam em seu encalço, caminha de costa para despista-los. Prossegue depois em busca da liberdade.
O HORROR NOVAMENTE - Subitamente por traz dele, aparece o terrível índio Itabira, o único rival da Jacó na corrida. A esse pensamento Jacó parece ganhar asas e não cessa de correr desesperadamente pelo labirinto da floresta. O índio Itabira já está a três passos de Jacó, que volta e desfere violento soco no ventre do índio. Jacó agora perde o fôlego e sente-se perdido, quando houve o milagre da salvação. Ao longe, uma tropa de homens a cavalo e cachorros latindo. Jacó grita fazendo sinais aos homens os quais afugentam os índios a tiro.
A SALVAÇÃO - Apesar do cansaço, Jacó sente uma indescritível sensação de liberdade com os gaúchos. Socorrido afinal pelos cavaleiros Jacó não fala nem entende a língua portuguesa; Só conhece o alemão e a língua dos caiangangues. Por isso faz-se entender por meio de sinais e gestos. Logo um gaúcho dá-lhe garupa no cavalo e leva-o para aFazenda, deixando para trás os raivosos indígenas que ainda disparam flechas que não atingem ninguém. Jacó sente-se feliz ao lado dos seus salvadores.
NA FAZENDA DE SEU LIBERTADOR - Agora Jacó encontra-se na fazenda do rico fazendeiro Adolfo Pacheco, na fazenda Pedras Brancas, nome ainda hoje existente, um povoado junto à BR-116, entre Caxias do Sul e São Marcos. A princípio, todos julgam tratar-se de um índio, mas logo verificam que ele não tem pele de bugre e é loiro, parecendo filho de algum imigrante alemão, pois, além disso, tem olhos bem claros.
- Mamãe morta! – Jacó consegue dizer! Entrementes o bondoso fazendeiro ordena que lhe tragam algumas roupas para vestir (Jacó usava uma tanga – como os índios), Lavam-lhe as feridas e Jacó tomou um reconfortante banho vestindo após as roupas do filho do capataz da fazenda que assenta-lhe bem. Ao sentar à mesa toma o pedaço de carne com as mãos e devora-a avidamente. O fazendeiro manda chamar o alfaiate para fazer roupas definitivas, cortando-lhe a vasta cabeleira.
A NOVA VIDA NA FAZENDA - Agora Jacó tem uma nova casa, a melhor que poderia encontrar. Sente-se muito feliz apesar de às vezes se retrair pensando na família.
O COMPRADOR DE BOIS - Certo dia, chega à fazenda um comprador de gado para os açougues de Taquara e São Leopoldo. Chamava-se Cristóvão Horn, conhece São Vendelino e está a par do assalto dos índios à casa de Lamberto Versleg, e sabe que os índios raptaram Valfrida, Jacó e Lucila. O fazendeiro Pacheco apresenta-lhe Jacó e ambos falam em alemão e se identificam. Jacó faz mil perguntas a Cristóvão Horn acerca de seu pai, quando soube que seu pai não morava mais em São Vendelino. Aborrecido com o rapto, vendeu suas terras e foi para São Leopoldo. Afinal, Jacó decide viajar com Horn à procura de seu pai. A família do fazendeiro lamenta, mas não pode opor-se.
EM BUSCA DO PAI - Jacó parte num belo cavalo bem aparelhado que o fazendeiro deu-lhe de presente, a fim de que Jacó possa vencer a distância e chegar a São Leopoldo em busca do pai. Seguem rumo a São Francisco de Paula e Taquara. Chegando em São Leopoldo, enfim, Jacó agradece muito a Horn e ali emprega-se na casa comercial de Felipe Kerber trabalhando pela manhã, com a tarde livre, para freqüentar a escola local. Certo dia, Jacó foi até o pequeno porto fluvial junto ao rio dos Sinos, onde afinal, encontra o pai Lamberto entre os rudes carregadores de sacos. - Jacó, meu filho – diz Lamberto. - Papai, querido,a final! Sempre juntos, agora o passado é só recordação. Mas a feliz companhia do pai dura pouco. Um dia o pai adoece de pneumonia. O filho esforça-se para salvar o pai, mas não consegue. Após três dias de enfermidade o pai morre nos braços do filho aquele que outrora fora o barão Lamberto Von Steg.
O ORFÃO JACÓ NOVAMENTE EM SÃO VENDELINO - Jacó decide voltar para São Vendelino. Comprou terras mais distante do local da antiga moradia que os índios incendiaram. Casa-se com uma jovem de origem alemã de nome Carolina Weirich. Um feliz consórcio do qual nasceram 13 filhos, sendo seis homens e sete mulheres. Dois morreram no berço. Jacó Verstag depois residiu em Poço das Antas, então município de Montenegro.
O FIM DE LUIS BUGRE - Luis Bugre foi residir depois em Carlos Barbosa. Teve dois filhos. Como não sabia nadar, utilizava sempre dois porongos para atravessar os rios a nado. Certo dia, no rio das Antas, os porongos se desprenderam e Luis Bugre morreu afogado.


REUNIÃO DA FAMÍLIA VERSTAG EM SÃO VENDELINO - Os descendentes de Jacó reuniram-se em São Vendelino em 14 de janeiro de 1995, realizando visitas ao túmulo de Jacó Verstag e culto na Igreja Evangélica, bem como visitas ao local do assalto indígena em Santo Antônio do Forromeco.A iniciativa do encontro coube aos descendentes, Prof. Valdomiro Sipp, Ariberto Verstag, Osvino Weber e Gedeão Lutz.




Fonte: Blog Economia e Finanças no endereço: heliaoliveira.blogspot.com

Quarta-feira, Outubro 10, 2007

Magno e-mail



Recebi, com muito prazer, um e-mail da minha antiga diretora de colégio, Myriam Tricate... O Magno, antigo Módulo, fez parte da minha história de vida material, e uma parte importante até... E a Marli, uma querida amiga, de quem sempre lembrei com carinho, ainda trabalha lá.... É, o vampiro eremita continua caminhando... De quantas gatas me lembro.... Luciana Alves Pinto, Fernanda Cilento, Patrícia Brimberg, Santagata Hijano, Cínthia Alves Pinto, tantas agora empresárias, psicólogas, artistas... Só o velho conde que continua na mesma velha tumba de sempre! Que o Magno possa durar por vários séculos ainda, é o que deseja o conde! Voei!

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Um texto do grande Millôr F.

Aqui vai um maravilhoso texto de Millôr Fernandes, quem quiser ler mais é só clicar no seguinte endereço: www2.uol.com.br/millor/
Divirtam-se...


Novo Evangelho: a Bíblia do Caos
LXVIII.Durante muito, muito tempo, nós todos, milhões de brasileiros tentamos civicamente, esforçadamente, ungidos em fé cívica, entender o que eles diziam no plenário, nas comissões e, sobretudo, nas mordomias. Ninguém, nenhum de nós, confessemos, conseguiu pescar bulufas do que tanto se transava na assim chamada Assembléia dos Eleitos da Nação. Mas, vimos, nem era pra. Esforçávamo-nos, inutilmente, pra ouvir e entender um Diálogo de Surdos com absurdos.
LXVII.Aviso a meus seguidores
Se, de vez em quando, o leite azeda por aí, não tenho nada com isso; a vaca não é minha. Escolham melhor na próxima vez.
LXVI.Inflação? Afinal, o que é inflação? Bem! A carne anda cara: você deixa de comer carne. A fruta anda cara: você deixa de comer fruta. O legume anda caro; você deixa de comer legume. Aí só lhe resta comer macarrão todos os dias, porque massa ainda é uma comida barata. Um mês depois, você vai fechar a calça e vê que ela não fecha mais. Inflação é isso.
LXV.Estatuto da terra
Renovo e reitero (em épocas de MSTs e vanguardas do atraso)
I. Em nenhum caso poderão ser desapropriadas terras com menos de 200 milhões de quilômetros quadrados, a fim de evitar o minifúndio, que seria fatalmente ocupado pelos diminutos japoneses que o Japão vem produzindo especialmente com esse fito.
II. Serão totalmente desapropriadas as conversas terra-a-terra.
III. Certas regiões especialmente ricas em minérios continuarão em poder de seus atuais donos multinacionais. Mas o povo brasileiro poderá considerá-las Terras Prometidas.
IV. As terras indígenas ficarão apenas com aumentos progressivos dos impostos, proporcionais aos valores folclóricos das ditas Terras.
V. Não pagarão impostos: a) a terra de Siena; b) a terra-mãe; c) a terra que se junta aos montes enormes nas obras publicas, demolições e deslizes dos morros; d) crises políticas aterradoras.
VI. Os proprietários de terras aguadas e pantanosas estarão isentos de impostos sobre a terra, pagando-os apenas sobre a lama, cobras, sapos e lagartos.
VII. Em nenhum caso, o gravame impostal poderá exceder 3.700 vezes o valor da terra. A avaliação será feita por pessoas de reconhecido gabarito moral e alto conhecimento técnico, como por exemplo, advogados encarregados de aposentadorias, inspetores do Detran em causa própria, e cassados por corrupção com seus direitos plenamente garantidos pela falta de provas.
VIII. Os trabalhadores que ocultarem alguns quilômetros quadrados de terra com o fim de iludir o fisco e seus fiscais, serão considerados inidôneos pra usufruir verbas da reforma agrária. O mesmo acontecerá aos que não souberem explicar o que é agrária.
IX. Todas as terras devolutas serão distribuídas nos grandes centros urbanos, que è onde mais falta terra
X. Até a promulgação deste ato, não se aceitam aterros.LXV.A medicina fez gigantescos progressos nos últimos duzentos anos. Antigamente, a qualquer mal do paciente, fazia-se uma sangria. Hoje faz-e uma transfusão de sangue. Mas isso também deu aos médicos a prepotência de deuses.
Lembramos apenas um lamentável erro médico há tantos! em que essa prepotência teve conseqüências lamentáveis na vida do país. Vocês ainda devem estar lembrados de quando, no século passado, Tancredo Neves, o candidato eleito pela oposição ao regimem militar, ia tomar posse. Deu um treco lá nele e chamaram os médicos do Hospital de Base de Brasília. Opera aqui, opera ali, discute daqui, discute dali, corta aqui, emenda acolá, elegeram o Sarney. Deu no que deu.
LXIV.Análise
Durante anos fiz, na revista O CRUZEIRO (*), uma seção chamada Aprenda a ver as coisas, com criptos gráficos, imagens figurativas disfarçadas de modo que seja difícil, ou impossível, identificá-las. Quando o significado é identificado, descoberto, a sensação é "estética" e... engraçada. Por quê? Não procurem explicação em Freud, nunca vi ninguém que entendesse menos de humor. Ou em O Riso, de Bérgson: também passa longe do fenômeno. Nem esperem que eu explique nada, humor é inexplicável.(*) Revista semanal extremamente popular no Brasil. Circulou de 83 A.C a 21 D.C.
LXIII.É impossível explicar as preferências humanas. Embora confeccionados com materiais absolutamente idênticos,e ambos lindíssimos (ninguém é capaz de dizer qual dos dois é mais belo),o pôr-do-sol sempre teve, e tem, muito mais público do que o nascer-do-sol.
Observação: Ora, Millôr, o pôr-do-sol é muito mais machista.
LXII.Não adianta, sempre resta uma hierarquia e uma divisão de classes, mesmo entre os que levam uma vida de cachorro.
LXI.Primeiro a religião prometeu o céu longínquo, sem jamais dizer onde ou quando. Depois apareceu o comunismo e pregou uma solução também bem distante; quando tudo fosse mais, e mais bem produzido, e seria mais bem repartido. Mas só mesmo quando surgiu a televisão e criou a sociedade de consumo, garantindo a felicidade colorida e fácil aqui mesmo na loja da esquina, foi que o pessoal entendeu. E começaram os assaltos e seqüestros, com a distribuição social imediata.
LX.A certeza de que eu falo com a absoluta sinceridade os senhores poderão verificar consultando minha conta bancaria. É um dos saldos médios mais altos deste país. Porém, mesmo sem ser moralista, ou sendo apenas um moralista das quantas, às vezes acho o dinheiro muito chato (ou perturbador) mas ainda assim não estou inclinado a pagar alguém pra gastar algum por mim.
LIX.Andei catando informações:
A Grande Muralha da China vai do Mar Amarelo até a Ásia Central. É o maior monumento arquitetônico do país. Construção iniciada pelo Imperador Ch'in Shih Huang Ti, logo depois que conseguiu unificar o império (246 A.C. ou por aí). Sistema defensivo importante até o sec. 000(!), a Muralha é feita de terra e pedra, varia de 6 a 10 metros de altura, tem revestimento de tijolo e caminho central com 4 metros de largura. De trechos em trechos há torres, de onde se emitiam sinais de fumaça, durante o dia, e de fogo, durante a noite. Está intimamente ligada à paisagem, integrada na natureza, acompanhando sempre as ondulações do solo. Tem 2.400 quilômetros de extensão (1) "É a maior e a mais monumental expressão da absoluta confiança dos chineses em muralhas" (2). Mas a Grande Muralha é apenas o mais famoso muro da China. "Muralhas, muralhas, e muralhas são parte fundamental de toda cidade chinesa" (3). Cercam as cidades, dividem-nas em lotes e bairros, marcam a estrutura e a importância da comunidade. Não há verdadeira cidade que não seja cercada por rnuralha, condição expressa no fato de que os chineses usam a mesma palavra, ch'eng, pra cidade e muro da cidade. Pro chinês uma cidade sem muralha é tão inconcebível quanto uma casa sem teto. Falei!
(1) mais da metade do Brasil no sentido norte-sul. (2) Enciclopédia Britannica,1952. (3) Idem.
RESPONDA DEPRESSA: A China é ou não é o país ideal para os Tucanos?
LVIII.Proudhon dizia que toda propriedade é um roubo. A elite brasileira acha que todo roubo é uma propriedade. Patriotismo é quando você ama seu país mais do que qualquer outro. Nacionalismo é quando você odeia todos os países, sobretudo o seu.
LVII.Gabriel
Talvez alguém lembre de um meu personagem cult; Átila. Estou convencido de que Átila é um dos maiores personagens da História. Sem dúvida o mais injustiçado. Passou à História como "bárbaro" e "flagelo de Deus". Os romanos, sobretudo já na decadência, eram menos "bárbaros" e menos "flagelos"? Acontece que todos os historiadores da época eram romanos. Você conhece algum historiador huno?
Hoje falo de outro personagem de minha predileção; o arcanjo Gabriel.
Minha admiração vem do que ficou na minha memória, uma visão impressionista (não chequei dados) da sua incrível ubiqüidade de ação. Lembra até o ex-Presidente Collor e o atual Lula, se ele permite a heresia. Gabriel aparece nas bíblias com nomes como o Anjo da Morte e Príncipe do Fogo e do Trovão, mas o que eu gosto mesmo é de sua constância como mensageiro. Uma espécie de Miguel Strogoff bíblico. Sobretudo como arauto de nascimentos. Nessa função, talvez facilitada por falar fluentemente siríaco e caldaico, anunciou o nascimento de Sansão, o de João Batista e, todos sabem, anunciou Jesus a Maria. Sem esquecer que estava lá, firme, no tremendo sarro do Santo Sepulcro, na hora da Ressurreição. Dizem que, quando as três Marias chegaram com a mirra, encontraram a pedra removida e a tumba vazia.
E, aí, um anjo de veste branca fulgurante, que tinha chegado antes - era ele! -, lhes disse que Cristo já tinha saído, e aconselhou-as a levar a notícia aos Apóstolos.
Mas (agora verifico) antes já tinha destruído os hóspedes de Senaqueribe, explicado a Daniel (o dos leões) alguma de suas visões, mostrado o caminho do Egito a José, e ajudado a enterrar Moisés.
Incansável, ainda é Gabriel que, seis séculos depois, está lá, em Meca e Medina, ditando o Corão pra Maomé. E não fez por menos - recitou as 114 suras ao som de sinos, com absoluta precisão, em ordem decrescente. Quando Maomé morreu foi ainda Gabriel quem ajudou a levá-lo pro sétimo céu montado no Borak(*).
Em tempo: Consulto agora o Smith's Bible Dictionary. Segundo essa pequena obra-prima, o evangelho de Lucas, o livro de Daniel e a tradição judaico-cristã tratam Gabriel como um dos arcanjos, individualizado. Mas, na Escritura, Gabriel designa apenas a função angélica de ministrar conforto e simpatia aos seres humanos. Em suma - os arcanjos seriam todos gabriéis. Donde a ubiqüidade.
Guardo minha admiração mitológica, continuando a ver Gabriel como um superarcanjo.
(*) O Borak, pra quem gosta de jóquei, tinha cara e voz humanas, olhos brilhantes como estrelas, asas de águia, e brilhava permanentemente com luz radiante.
LVI.O Paraíso, ninguém discorda, é a maravilha da criação divina. Mas por que Deus povoou isto aqui com seres humanos, e não deixou apenas, como querem os Verdes, o mico-leão-dourado?
LV.O reto destino
Quando uma jovem nasce extraordinariamente bem-dotada de recursos evidentes, ainda que nem tanto de sutilezas intelectiformes;
Quando essa mesma jovem cresce e aparece, aparece muito, porque é impossível se fazer não ver com tudo que se tem pra mostrar;
Quando ela é convidada, e muito convidada, sobretudo praqui e prali.
E assim vai a todos os lugares, sobretudo os indevidos, conhece todas as pessoas, vive a vida gaia e deslumbrante dos que podem, justamente porque os que não podem não estão aqui, estão lá, suando, maisvaliando, pra que os que podem possam mais;
Quando tudo isso acontece, a jovem será cada vez mais cortejada e usufruída, levará um vidão que nem vos conto, nem vos digo, desde as 11 da manhã, quando se levanta no hotel de luxo,ou na praia da moda, passando pelas horas do iate supimpa ou do almoço em décors insofismáveis, até as noitadas que só terminam quando a própria noite termina e ela vai pros braços dos Morfeus; bem, aí ela pode se dizer feliz. Muito feliz.
LIV.A primeira vez em que um publicitário me falou em house-orgão, eu pensei que se referia ao pinto de seu pai.
LIII.De tempos pra cá o pessoal usa muito esse termo, gratificação, querendo emprestar a ele o sentido de lúdico, nobre. Mas acho que, o que lhes agrada mesmo continua sendo 12%.
LII.O Paraíso, ninguém discorda, é a maravilha da criação divina. Mas por que Deus povoou aquilo com seres humanos, e não deixou lá, como querem os Verdes, apenas o mico-leão-dourado?
LI.Antes de aceitar participar num júri criminal, cuidado! Essa experiência é um teste brabo pra nossa capacidade de Julgar - nossa tendência é ficar sempre de acordo com quem falou por último.
L.A primeira vez em que vemos o anúncio na tevê achamos meio esquisito. Um cara oferece a bebida pruma cara; "Já tomou?" Ela diz que não, ele força a barra, pergunta se gostou, ela está em dúvida, ele diz: "Você se acostuma." Perguntamos nós: "Se acostuma ou se vicia?" Tudo bem. Cigarro é assim, uísque é assim, Coca (até mesmo a legal) é assim, muiiita coisa gostosa (por exemplo, o pecado que não ousava dizer seu nome) é assim. E a propaganda pós-moderna é tão subliminal que muitas vezes a gente pensa que estão anunciando a calcinha quando estão vendendo é o absorvente. Sem falar das vezes em que a moça que faz o anúncio do dito é tão bonita e convincente que ficamos certos de que a menstruação é uma das grandes alegrias da existência.
XLIX.Ia eu, no alvorecer da manhã (como diria o falecido Ibraim Sued), pelo calçadão de Ipanema, olhando sob meus pés aqueles bonitos mosaicos em pedras portuguesas. Aos poucos, sem me dar conta, pela transmutação sincrotônica na retina (êpa!), os desenhos foram virando quadrados, formando um tabuleiro de xadrez. Continuei correndo, fascinado, me sentindo um personagem de Alice no país das maravilhas. E, súbito, num estalo do Vieira, me veio uma saída brilhante, extraordinária, para um dos mais famosos lances de xadrez do Kasparov. Uma coisa especialmente inacreditável, pois não jogo xadrez.
XLVIII.Bode expiatório
Designação de uma pessoa sobre quem recaem todas as culpas. Uma vez estabelecido como bode passa a viver a síndrome' de "Um cão danado, todos a ele". A explicação está no Levítico: no Dia da Reconciliação o sacerdote lançava a sorte sobre dois bodes, um "para Jeová", outro "para Azazel'. O bode de Jeová era sacrificado e seu sangue borrifado sobre os fiéis, como mercê. Sobre o outro bode o sacerdote lançava todos os pecados do povo. Logo uma pessoa especialmente escolhida levava o bode pro deserto e o soltava ali. Por isso mesmo em algumas línguas, como o inglês, ele é chamado de Bode escapatório(*). O que poucos sabem é que existe também a expressão "Bode exultório", pessoa acima do bem e do mal, de quem se perdoa tudo e a quem se permite qualquer coisa. Como por exemplo... ah, deixa pra lá.
(*) Palavra puxa palavra: escapar, sair do perigo, vem mesmo de "deixar a capa" (quando a pessoa era agarrada pelo inimigo). A cadeia etimológica, até chegar ao português. é extremamente complexa mas comprovada.
XLVII."Mudou a medicina ou mudou o corpo humano?", me perguntam a toda hora. Só sei que até o século XIX a medicina só fazia sangria. Agora só faz tranfusão de sangue.
XLVI.Repito: prestem ouvidos e vocês me darão razão quando recomendo ao Guiness Book of Records que inclua Sir Ney nesse livro. É como o único ser humano que comete erros de ortografia no ato de falar. Prestem bem atenção no próximo discurso e perceberão que ele fala Constituissão com dois esses.
XLV.Quem defende o suicídio fingindo que não o defende, é Shakespeare, em TO BE OR NOT TO BE, o famoso solilóquio de Hamlet: "Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do mando, e o achincalhe que o mérito recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?"
XLIV.Verifiquem se não é: ninguém fala mais entusiasticamente de livre-empresa e competição, de leis-de-mercado e "que vença o melhor" do que a pessoa que herdou tudo do pai.
XLIII.Honra seja feita, o Brasil não inventou a corrupção, o nepotismo, nem a burocracia pedante e autoritária. Tudo isso foi importado com o descobrimento. Vejam os senhores que falta faz a Reserva do Mercado
XLII.Vão replantar árvores nos Carajás. Ótimo!. Por que não começar pela Avenida Brasil?
XLI.A voz humana, seu som, e o que contêm, são muito mais importantes do que o resto da pessoa. É preciso que a televisão conserve a voz dos grandes atores estrangeiros e passe a dublar a imagem deles.
XL.Todos sabem que a pena de morte não diminui o número de assassinos e assassinatos. Mas todos sabem que cria mais alguns: os carrascos.
XXXIX.Prudência: E devemos sempre deixar bem claro que nenhum de nós, brasileiros, é contra o roubo. Somos apenas contra ser roubados.
XXXVIII.Toda hora eu vejo, em jornais, revistas, televisão, e na rua, pessoas cada vez mais "livres" de preconceitos e... E, no entanto, todas estão convencidas de que a Terra gira em torno do Sol. Por quê? Pergunte a elas e elas responderão: "Ué, Galileu provou isso, há muito tempo" Provou pra quem, meu bem?, repergunto eu."Pode ser que tenha provado pros cientistas. O homem comum, e mesmo nós, pejorativamente chamados intelectuais, aceitamos, e pronto. Sem pensar. Preconceituosamente. Como antes de Galileu acreditávamos que o sol girava em torno da terra. Mas entre Galileu, de cujas "provas" nunca tomamos conhecimento nem sabemos dizer quais, e a realidade, que, literalmente, salta (gira) a nossos olhos, temos que acreditar é em nossos olhos. Nossos olhos vêem, com absoluta certeza, que o sol nasce ali (a leste) e morre do outro lado (a oeste), girando em torno de uma terra absolutamente parada (terremotos à parte), sobre a qual caminhamos sem sentir o menor movimento. Pra mim o sol gira em torno da terra. E estamos conversados.
XXXVII.Você, que gosta de provérbios, e até segue os seus conceitos, cuidado! Eles andam muito poluídos:
- Nunca digas: "Desta água não beberei." Mas ferve antes.
- O que os olhos não vêem o coração não sente. Mas o intestino acusa.
- Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, desde que a galinha não seja alimentada de ração com aditivo químico.
- De lá pra cá muita bosta passou por baixo da ponte.
- Cão que faz cocô na praia não morde.
- Mais vale um pássaro voando do que dois na mão envenenados por monóxido de carbono.
- Devagar se vai ao longe, mas não com o reboco do Túnel Rebouças caindo na cabeça como acontece todo dia.
- Mata a cobra e mostra a lata de pesticida.
- Diz-me com quem andas e eu te digo se vais pegar aids ou não.
- Águas estagnadas não movem moinhos.
- De grão em grão a galinha morre intoxicada.
- Filhos criados, tudo drogado.
XXXVI.Tirésias
Outro de meus mitos favoritos é Tirésias, o sábio, o profeta, o adivinho cego de tantas historias e tantas peças gregas. Que Tirésias era cego e adivinho todos sabem. Mas a história de como virou ambas as coisas é menos conhecida; um dia Tirésias ia passando por uma espécie de Pantanal do Olimpo e viu Atenas tomando banho nua. Atenas, indignada, atirou-lhe água em cima, transformando-o em mulher (*) durante sete anos. E, como ele insistisse em olhar, Atenas atirou-lhe água também nos olhos, cegando-o. Mais tarde, arrependida, e não tendo mais o poder de restaurar-lhe a visão, a deusa restaurou a masculinidade de Tirésias (**), dando-lhe o poder divinatório e a compreensão da linguagem dos pássaros. Magra compensação. Tempos depois, passando em meio aos deuses Juno, Júpiter e ApoIo, que discutiam ardentemente sobre quem obtinha maior gozo numa transa, o homem ou a mulher, Tirésias, que tinha experiência de ambos os sexos, foi chamado a opinar. E não vacilou - declarou que a mulher gozava 10 vezes mais. Moral: Pelas loucuras que já vi muitas fazerem por tão pouco, dou plena razão a Tirésias. (*) Uê. isso era castigo? Ô mitologia mais machista! (**) Ah, era castigo mesmo!
XXXV.A Grande Muralha da China vai do Mar Amarelo até a Ásia Central. É o maior monumento arquitetônico do país, iniciado pelo Imperador Chin Shih Huang Ti, logo depois que conseguiu unificar o império (246 A.C. ou por aí). Sistema defensivo importante até hoje, a Muralha é feita de terra e pedra, varia de 6 a 10 metros de altura, tem revestimento de tijolo e caminho central com 4 metros de largura (eu medi tudo). De trechos em trechos há torres, de onde se emitiam sinais de fumaça, durante o dia, e de fogo, durante a noite, avisando qualquer perigo. Está intimamente ligada à paisagem, integrada na natureza, acompanhando sempre as ondulações do solo. Tem 2.400 quilômetros de extensão (não medi)) "É a maior e a mais monumental expressão da absoluta confiança dos chineses em muralhas" (Bush está imitando, Israel também, a União Soviética já imitou e não deu certo). Mas a Grande Muralha é apenas o mais famoso muro da China. "Muralhas, muralhas, e muralhas são parte fundamental de toda cidade chinesa". Cercam as cidades, dividem-nas em lotes e bairros, marcam a estrutura e a importância da comunidade. Não há verdadeira cidade que não seja cercada por muralha, condição expressa no fato de que os chineses usam a mesma palavra, ch'eng, pra cidade e muro da cidade. Pro chinês uma cidade sem muralha é tão inconcebível quanto uma casa sem teto.
XXXIV.Aprenda de uma vez: Se você acordou de manhã é evidente que não morreu durante a noite. A felicidade começa com a constatação do óbvio.
XXXIII.Ao anúncio de uma vazão nuclear, não entre em pânico. Corra velozmente pro primeiro banco que encontrar e consiga, de qualquer maneira, com qualquer juro, em quaisquer condições, um empréstimo de no mínimo cinqüenta milhões. Depois disso os banqueiros protegerão você contra qualquer espécie de radiação.
XXXII.Brasil, Século XXI: É preciso sempre muito cuidado com o que acontece entre as intenções e as conseqüências. Quando os 130 milhões de cidadãos se colocaram diante daquela montanha aparentemente intransponível e começaram a gritar em coro: "Abracadabra amplo, geral e irrestrito, abre-te, Sésamo!", deu-se o milagre da abertura. Mas logo todos perceberam que estavam apenas abrindo a caverna para Ali- Babaka e seus 400 ladrões.
XXXI.Cada vez sou menos consumidor. Consumo em restaurantes mais pelo contacto com os amigos - vou a cinemas, compro material de trabalho. Meu automóvel já tem 10 anos. Claro, sou favorecido por pessoas que me cercam, complementam minha alimentarão, ocasionalmente compram até minhas roupas e sapatos. Mas não tenho o menor prazer em fuçar lojas, adquirir gadgets, etc. Porém sempre achei de uma tristeza absoluta cidades socialistas com suas ruas cinzas, e de grande beleza certas ruas e edifícios de Paris, Nova Iorque, Rio - qualquer grande cidade capitalista com suas vitrines lindíssimas. Cheguei a criar um postulado: Socialismo com vitrine. Contudo, nossa emoção estética, ao apreciar uma vitrine, é inconscientemente diminuída por conhecermos o comercialismo que está por trás daquilo. Mas, já imaginaram um marciano chegando à terra e acreditando que tudo que vê é resultado apenas da vontade de cada um fazer sua casa mais deslumbrante para quem passa?
XXX.Estatística mostra que este ano, com a recessão, aumentou em 60% o roubo nos bancos brasileiros. Não diz de que lado.
XXIX.Feliz é o que voce percebe que era, muito tempo depois.
XXVIII.Nunca esteja muito seguro de que resolve as coisas melhor do que ninguém e mais rapidamente. O mal da gente agarrar o boi pelos chifres é depois não conseguir largar.
XXVII.Ética, ética, ética é que defendemos sempre na profissão jornalística. O direito de resposta é uma coisa fundamental. Sagrada. Senão a gente fica até imaginando que o outro lado pode ter razão.
XXVI.Representação é o alucinógino da organização social chamada democracia. Temos 479 representantes de nossas necessidades e ambições sociais - 479 deputados! Uma sociedade precisa de tantos? Por que não diminuir para 10? Ou melhor, nenhum?
XXV.Temos todos que recusar veementemente aceitar uma justiça que também dá razão aos outros.
XXIV.A Babel, ninguém ignora, começou com todo mundo falando a mesma língua. Quando Deus quis que os homens se desentendessem, fez cada um falar uma língua diferente. Mas foi aí que eles se entenderam mais e começaram a negar o Todo-Poderoso.
XXIII.Devemos apoiar os liberais no poder, que insistem que a economia é assunto a ser resolvido entre produtor e consumidor. Bem, desde que eles aceitem que assassinato também é assunto a ser resolvido apenas entre assassinado e assassino.
XXII.O jornalista deve ser cético pra que o leitor não se torne cético com relação ao jornalista.
XXI.Estamos seguros de que mais vale um pássaro voando do que dois na mão, cão que ladra só não morde enquanto ladra, e, se o hábito não faz o monge, fá-lo parecer de longe. Por isso a cavalo dado deve-se olhar os dentes com atenção redobrada.
XX.A verdade é que os de cima realmente não trabalham. Não vamos tergiversar, trabalhar é dar duro, é suar, é fazer coisas que não são agradáveis, nem ocasionais, "faço hoje, depois faço quando me der na telha". Pois é, os de cima, que não trabalham, não produzem dinheiro. Em compensação têm todo o tempo pra bolar esquema de tomar o dinheiro dos que estão por baixo e trabalham, e dão duro, e suam, e fazem, continuadamente, coisas que não são agradáveis. E, para tomarem esse dinheiro que não lhes pertence,os de cima inventam palavras nobres, como mordomia, financia, ideologia, macroeconomia e constituinteria.
XIX.A cada dia que passa, permissividade ou não permissividade, censura ou não censura, continua sendo imoral se discutir em público, em todos os meios, o tamanho do mandato do Presidente.
XVIII.Precisamos rever todos os princípios da Justiça. A Justiça que aceitamos é tão complicada, tão cheia de burocracia, que, acreditamos, dentro em breve ninguém mais terá coragem de ser malfeitor.
XVII.Este país não pode melhorar enquanto o governo gastar todo o seu dinheiro na propaganda da rosca e a oposição colocar todo seu esforço na condenação do furo
XVI.Não se assuste porque no Brasil cada vez há mais desempregados, mais famintos e mais violência. Está provado que é o clima.
XV.Não devemos odiar com fins lucrativos. O ódio perde a sua pureza.
XIV.Não hesite quando, no caminho da sua vida, você encontrar uma bifurcação; siga em frente.
XIII.Depois de teimosa e solitária antevisão, lutando contra tudo, gastando meses de preparação, usando de alta técnica, pondo dentro de sua embarcação um membro de cada espécie existente, enfrentando quarenta dias de navegação em águas violentas, Noé conseguiu , afinal, salvar a humanidade da extinção. Sozinho, contra todos, até Deus, pois las intenciones de Dios eram bien conocidas. Imediatamente passou a ser chamado de ante-diluviano. Assim vai a ingratidão humana.
XII.Enquanto uma verdade existe por si mesma, por aí, metafísica, pairando no ar ,incerta e viva, tudo bem. Mas, desde que é apreendida por uma cabeça humana, sofre um processo de alteração irreversível, a refração de cada cabeça nova que por via direta ou indireta, toma conhecimento dela, e a transforma e conspurca. E está poluída pra todo o sempre.
XI.Moderno. Moderno em relação a quê? Moderno é apenas um pressuposto cronológico. Se o rádio tivesse sido inventado depois da televisão as crianças sairiam correndo, maravilhadas: "Mamãe, mamãe, inventaram uma televisão sem cara!"
X.Vocês têm que aprender de uma vez por todas que os "X Mandamentos" nunca pretenderam ser restrições. Eram meras sugestões.
IX.Meninas, vocês não fiquem o tempo todo aí sentadas, limpinhas, comportadas, respeitando pai e mãe, sem nenhum excesso sexual. O que é que vocês fazem de tudo que aprenderam nos programas de televisão?
VIII.A todos os verdes: Só se controla a natureza controlando a natureza humana.
VII.Temos sempre que meditar que muitos séculos passaram desde os primeiros tempo bíblicos, e que, por isso, os ensinamentos devem ser remeditados. Temos que estar atentos a quando os cegos falam com as mãos e os surdos escutam com os olhos".
VI.Ao emprestar sempre nos arriscamos. Na operação é prudente somar o tempo gasto, o peso do dinheiro, e a umidade relativa do ar.
V.Quem deve a João e empresta a Tomás, sempre deve mais.
IV.O homem é um ser admirável, criado pelo sopro de forças metafísicas extraordinárias, usualmente conhecidas pelo codinome Deus. De esforço em esforço conseguiu sair da escala puramente animal, galgando os galhos da árvore da ciência, do tacape à baioneta, da arma de fogo rudimentar ao canhão, do canhão à bomba de hidrogênio, dos mísseis intercontinentais à guerra nas estrelas. Para sua felicidade permanente só resta ao homem passar da ciência à consciência, e evitar a volta ao tacape.
III.O problemas da redação constitucional, é que quando o legislador especifica; "Não cobiçarás a mulher do próximo", está automaticamente autorizando a cobiça de todas as outras.
II.A Babel começou com todo mundo falando a mesma língua. Quando Deus quis que os homens se desentendessem, fez cada um falar uma língua diferente. E os guias do Povo que já começam assim?
I. Deus é realmente um ser superior. Não há nada nem parecido no Governo Federal.

Gostaram? Ele é um gênio, eu o leio desde 1974, ou 73, quando na fonoaudióloga ou psicóloga, eu então com 6 anos, mas já sabendo ler direitinho, devorava as crônicas dele na VEJA de então... Fui...